
Vamos conversar sobre isso? Ou melhor, que tal você parar e refletir sobre a forma como você se relaciona?
O primeiro ponto é pensarmos em como nos enxergamos dentro de nossas relações.
Como você se vê? Você se relacionaria com alguém como você? No fim do dia, se estiver sozinho, você está em boa companhia ou acaba sendo um tormento? A forma como nos percebemos dentro das relações que vivenciamos fala muito de como conseguimos nos ver de verdade.
Uma das coisas mais complicadas de um relacionamento abusivo é que ele afeta a autoestima – o nosso entendimento e reconhecimento de nosso valor.
Esse é um ponto que ao mesmo tempo que é sutil, se torna repetitivo em sua quebra, passa a ferir o interior. Reconhecer o valor do outro, de forma correta – sem exageros, é um exercício e quando não estamos atentos a isso acabamos desvalorizando não a relação em si, mas a pessoa que está ao nosso lado. São pequenas coisas – um comentário aqui, uma atitude ali, uma resposta mais atravessada ali. Passamos a fazer isso automaticamente, e muitas vezes, por reação.
Reagimos de forma passivo-agressiva, ferindo, ‘alfinetando’, e geralmente desviando o foco disso, fazendo com que o outro acabe pensando que isso foi responsabilidade dele. Muitas vezes não conseguimos ver e reconhecer nosso próprio valor, então torna-se muito difícil conviver com pessoas, e se relacionar, com quem tem autoestima elevada. Sabe aquela frase meio boba que ‘felicidade incomoda’?! Então… Não é que incomoda sentir e perceber que o outro esta bem, mas incomoda não estarmos bem – conosco mesmo – de alguma forma.
A pessoa que teve seu valor não reconhecido, sua autoestima ferida, passa a vivenciar o medo – é como se ela pisasse em ovos sempre que está ao nosso lado. Isso pode parecer difícil de identificar, mas se parar para pensar, pode acabar sendo fácil de perceber.
Como reagimos diante da visão do outro sobre coisas pequenas?! Situações do dia-a-dia que nos afetam?! Como a outra pessoa costuma reagir a essas mesmas coisas pequenas?
Cada um de nós age e reage de forma diferente, e isso é ótimo! Precisamos apenas estar atentos a forma como agimos e reagimos. Quando nossas ações acabam gerando medo no outro, as coisas passam a ficar mais complicadas. O medo é silencioso, ele vai se chegando devagar no interior do outro.
Esse medo passa a comandar de forma velada. Fica impregnado dentro da pessoa e afeta tudo, inclusive a percepção dessa pessoa sobre o ato de se relacionar.
Muitas vezes, esse medo surge disfarçado, ou próximo da necessidade de proteção, e aí, acabamos desenvolvendo uma dependência emocional – entre o apego e a afetação. Tudo acaba nos afetando e nos tirando de nosso lugar comum. As tensões acabam se tornando incidentes, e então repetimos o ciclo, e a pessoa passa a normatizar esse comportamento em seu cotidiano. E sim, é um comportamento agressivo, abusivo – tóxico que não conhecemos. Podemos por vezes, nos desculpar por um incidente, mas acabamos não aprendendo com eles, e logo, as tensões surgem, e então, um novo incidente… E a vida segue.
O outro, ou seja, a pessoa, passa a não conseguir mais se enxergar – ver e perceber a si mesmo se não for pelo nosso olhar. É a nossa opinião que está certa, é a nossa forma que é a correta, é o nosso jeito que é melhor – e sempre, é claro, queremos o melhor para pessoa, que é o nosso melhor, mas esse ‘nosso melhor’, seria de fato o melhor para aquela pessoa?
Aos nos relacionarmos, permitimos que o outro seja ele mesmo? Ou, de alguma forma, dentro das nossas pequenas ações, passamos a manipular situações para que possamos moldar aquela pessoa? Afinal, sabemos o que é melhor, não é mesmo?!
Até que ponto conseguimos ver de fato, a forma como nos relacionamos afeta as decisões e comportamentos da outra parte? Vamos parar um pouco e refletir sobre isso?! Como costumamos reagir a um imprevisto – algo que nos contrarie, irrite ou nos tire um pouco do sério?!
Sim… Vamos pensar em nosso drama. Ah… Todos nós dramatizamos um pouco, mas quando estamos de forma ativa, sendo abusivos, acabamos dramatizando além conta, fazendo com que a outra pessoa passe a vivenciar um esgotamento – emocional, mental e físico até.
Parou e pensou um pouco sobre isso? E então, voltando ao início do texto. Como você é ao se relacionar? De uma forma ou de outra, todos nós ao nos relacionarmos, estamos aprendendo.
Conviver é aprendizado, e este surge a partir de nossos erros também.
Buscar ajuda quando conseguimos identificar em nós mesmos comportamentos abusivos é algo que precisamos fazer. Psicoterapia pode nos ajudar, mas para isso, precisamos primeiramente identificar em nós mesmos – seja com o que percebemos, seja com o que já nos disseram – que de uma forma ou de outra somos tóxicos.
Psicoterapia é algo que todos nós precisamos e estou aqui para isso!
E não esqueça: Você é Incrível!
Então, vamos começar?
Seu Norte em nosso Espaço!
