
O filme “A Monster Calls” (Sete Minutos Depois da Meia-Noite) é uma obra cinematográfica que mergulha nas profundezas da psique abordando questões universais sobre a natureza humana, o crescimento pessoal e a jornada em busca do autoconhecimento – e também, sobre o luto.
Somos apresentados a história de Conor, um jovem que enfrenta o dilema emocional de ver sua mãe lutando contra uma doença terminal.
Com uma sensibilidade única, o filme incorpora elementos fantásticos, como a aparição de um monstro, que não é simplesmente uma criatura assustadora, mas sim um arquétipo representando o inconsciente coletivo em movimento.
A teoria dos arquétipos de Jung é uma peça fundamental para divagar na compreensão da narrativa de “A Monster Calls”.
Jung sugeriu que, dentro do inconsciente coletivo, existem imagens primordiais que têm uma presença universal na psique humana. Essas imagens, conhecidas como arquétipos, refletem desejos, medos, esperanças e conflitos compartilhados por toda a humanidade, independentemente de culturas ou épocas.
No filme, o monstro que visita Conor é uma manifestação de um desses arquétipos – o arquétipo do Sábio. O monstro assume a forma de uma árvore majestosa e ancestral, simbolizando a sabedoria e a conexão com a natureza. O Sábio é aquele que guia o protagonista em sua jornada interna, desafiando-o a enfrentar suas emoções mais profundas e complexas. O monstro representa a força necessária para que Conor confronte sua dor, medo e negação diante da iminente perda de sua mãe.
Outro arquétipo importante no filme é o da Sombra. A Sombra representa os aspectos obscuros e reprimidos da personalidade de um indivíduo, normalmente refletidos por sentimentos e comportamentos negativos. Conor precisa confrontar sua Sombra, representada pela raiva e ressentimento que ele sente por sua situação. O monstro, em sua forma imponente, serve como um catalisador para que Conor mergulhe em sua Sombra e entenda que esses sentimentos são naturais e fazem parte de sua experiência humana.
Além disso, o arquétipo da Anima (a figura feminina no inconsciente masculino) é personificado pela figura da mãe de Conor. A relação entre Conor e sua mãe é complexa e emocional, e ela desempenha um papel essencial em sua jornada de autodescoberta. Sua doença terminal faz com que Conor tenha que enfrentar a realidade da mortalidade e aprender a lidar com sua dor e desespero.
A história é profundamente tocante porque ressoa com a experiência humana universal de enfrentar perdas, enfrentar o desconhecido e aprender a lidar com emoções intensas.
Ao vislumbrarmos os arquétipos junguianos, o filme transcende sua narrativa individual e alcança um significado mais amplo, tornando-se uma reflexão sobre a jornada de crescimento e amadurecimento que todos enfrentamos em nossas vidas.
Um filme sobre verdades essenciais e mentiras simples. Sobre maturidade e reconstruções de vínculos. Sobre perdas e ganhos. Sobre aquilo que herdamos, sem nem mesmo nos dar conta do que – aquilo que habita nosso interior e se move.
Em seu desfecho coexistem mortes e renascimentos – o pai e sua nova família, o próprio Connor, agora em seu novo quarto, junto com a avó, em família. Toda a herança simbólica herdada na última cena, no caderno de desenhos da mãe, que agora é dele.
Não é fácil admitir o que sentimos, expressar então, carregado de dor, culpa e vergonha, torna-se uma jornada. Aqui uma jornada de quatro histórias, sempre sete minutos após a meia-noite, horário da partida, horário da chegada. A quarta história trata da verdade, da expressão daquilo que habita o personagem. Neste momento ele se abre para a realidade presente e reúne dentro de si, ferramentas que podem lhe ajudar. O monstro, aqui, é apenas a verdade não dita, o interior não falado dentro de todas as relações imaginárias ou não – é a própria energia em movimento.
Este é um filme que ilustra a riqueza e a complexidade dos arquétipos junguianos. Ao mergulhar na mitologia interna do protagonista, ele nos convida a refletir sobre nossos próprios arquétipos e como eles moldam nossa compreensão do mundo e de nós mesmos. Através dessa jornada emocional, somos lembrados da importância de aceitar nossas emoções e encontrar significado em nossas experiências mais desafiadoras, buscando o autoconhecimento e a sabedoria interior para enfrentar os obstáculos da vida.
Psicoterapia é algo que todos nós precisamos e estou aqui para isso.
E não esqueça: Você é Incrível!
