
Gosto de escrever diante do que me acontece no dia a dia. Coisas cotidianas que de alguma forma inspiram alguma discussão mais temática ou quase séria.
Hoje pela manhã estava esperando um pacote muito aguardado. Dois itens de uma coleção pessoal. Daí, me deu vontade de escrever sobre o que essa coleção em específico representa pra mim, e que de alguma forma pode fazer você refletir sobre si mesmo.
Bora lá?! – vá buscar seu café. O meu tá aqui já.
A persona é um conceito junguiano que se refere à máscara ou fachada que uma pessoa apresenta ao mundo exterior.
Refletindo sobre as personas, tracei um paralelo com algo pessoal – eu coleciono máscaras. Hoje chegaram duas que encomendei sob medida – num outro dia, as apresentarei aqui. Hoje quero falar sobre Personas, e em paralelo, sobre colecionar máscaras.
Podemos dizer que a persona é a imagem socialmente aceitável e adaptada que usamos para nos relacionarmos com os outros. Todos nós temos personas. A construção delas é algo espontâneo – fazemos isso naturalmente ao longo da vida.
Então, ‘faz favor’… Não vem com o papo que você não tem, que você é o que vocé é – todos temos. Não existem ‘alecrins dourados’.
Entendendo isso, precisamos compreender que essa persona não representa necessariamente quem somos em nossa totalidade, mas sim uma parte selecionada de nós mesmos que escolhemos mostrar – em contextos, situações, relações, e por ai vai.
Dentro desse momento – contemplando a coleção e refletindo nas personas, fui mais a fundo, e passei a divagar na complexidade da identidade humana.
Da mesma forma como colecionamos diferentes máscaras para diversas situações sociais, também colecionamos personas ao longo de nossas vidas.
Cada máscara representa uma abordagem específica para interações sociais, e cada persona reflete uma faceta diferente de nossa personalidade.
Como escolho as máscaras que mantenho em minha coleção?!
De alguma forma a imagem dela, real ou simbólica, fala comigo – dialoga com meu inconsciente, que de alguma forma, deseja manter aquela representatividade próxima.
Assim como um colecionador como eu pode ter uma ampla variedade de máscaras, nós acumulamos personas ao longo do tempo. Algumas são adotadas conscientemente para atender a expectativas sociais ou profissionais, enquanto outras podem se formar inconscientemente como mecanismos de defesa. À medida que continuamos a coletar máscaras, podemos nos encontrar presos em um mosaico complexo de identidades, muitas vezes perdendo o contato com quem realmente somos. E ai, precisamos esvaziar.
E refletindo sobre isso, lembrei de Gibran e seu texto – O Louco.
[Perguntais-me como me tornei louco. Aconteceu assim:
Um dia, muito tempo antes de muitos deuses terem nascido, despertei de um sono profundo e notei que todas as minhas máscaras tinham sido roubadas – as sete máscaras que eu havia confeccionado e usado em sete vidas – e corri sem máscara pelas ruas cheias de gente gritando:
“Ladrões, ladrões, malditos ladrões!”
Homens e mulheres riram de mim e alguns correram para casa, com medo de mim.
E quando cheguei à praça do mercado, um garoto trepado no telhado de uma casa gritou:
“É um louco!”
Olhei para cima, para vê-lo. O sol beijou pela primeira vez minha face nua.
Pela primeira vez, o sol beijava minha face nua, e minha alma inflamou-se de amor pelo sol, e não desejei mais minhas máscaras. E, como num transe, gritei:
“Benditos, benditos os ladrões que roubaram minhas máscaras!”
Assim me tornei louco.
E encontrei tanto liberdade como segurança em minha loucura: a liberdade da solidão e a segurança de não ser compreendido, pois aquele que nos compreende escraviza alguma coisa em nós.
– Gibran Khalil Gibran]
Precisamos por vezes nos afastar das personas – de tudo que representamos, e olhar para nós mesmos. E neste processo, avaliar a persona em nossas mãos, como se estivéssemos avaliando uma máscara – sua história, significados, ornamentos…
Gosto de divagar sobre cada máscara que tenho. Sua história, seu significado e sobretudo, as lições que ela me trás.
Ao nos questionarmos sobre o propósito de cada persona, podemos começar a entender as motivações não tão perceptíveis por trás de nossos comportamentos e escolhas. Essa autorreflexão nos ajuda a evitar a identificação excessiva com qualquer persona específica, permitindo que cultivemos uma conexão mais autêntica com nosso self verdadeiro.
Ao colecionar máscaras como objeto de reflexão, passei a visualizar de maneira tangível a complexidade das personas que acumulamos – que eu acumulei.
Através desse texto te convido a explorar como cada persona te protege ou te limita, e como elas se encaixam na teia mais ampla de sua identidade, de seu cotidiano.
– Seria eu, aqui neste texto, um maldito/bendito ladrão que facilitou a perda/roubo de suas máscaras?!
Ao reconhecer a natureza transitória das personas, podemos começar a trabalhar em direção a uma integração mais completa e uma expressão mais autêntica de quem somos.
Psicoterapia é algo que todos nós precisamos e estou aqui para isso.
E não esqueça: Você é Incrível!
